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A-tire

Posted by Eve Rojas on 11:02 AM in , , , ,
Palavras que cortam a carne, balas que dilaceram a alma. Desrespeitos que amputam o amor, inconsequências que adoecem o cuidado. Cegueiras, cegueiras diárias de espelhos sujos a transformar os reflexos perdidos de uma pureza infantil violada pelos descasos advindos do nada. Tábulas nunca rasas , profundas como o infinito insondado do universo. Inexplicadas como a presença incólume da apatia própria ao semelhante. O que há de se preservar de humano? O desprezo indiferente disfarçado de dó? A violência marginal do julgamento ignorante a desferir o golpe de misericórdia aos desiguais desvairados? Quem será o próximo da lista? Certezas tão frágeis, todas as lentes tão turvas, loucos os possuidores de clareza. Se há ou existe não me deixem ter. Atropelos são inevitáveis, os perdões imprescindíveis. Os jardins continuam a florescer com as chamas do fogo e a serem invadidos com a frieza do gelo. As estações entraram no ciclo pernicioso do insensível tanto faz e se fizer eu que importo mais. Débil expressão da intenção de centro submergindo a periferia. Confusão de pressupostos coerentes no vão de uma desistência anunciada, nada parece valer a pena. Cercas, muros, grades, pistolas, asfixia. Suicídio do zelo. O que fazer quando o inclusivo sem manual repousa no isolamento dos labirintos de um mosteiro? Textos críticos interpretativos estéreis? Recitais de notas cultas onde os cantos são tentações irresistíveis ao consenso? Doações do que excede para aliviar a culpa? Escolha seu limite, sua coleira, sua rédea, sua ignorância, sua prepotência. Ansiolítico para o trânsito, tranquilizante para o sono, descontos ao abandono, hipnóticos para os que pulsão. Best buy para sistema nervoso, wall greens para dor crônica, e um bar. Por favor um bar onde a desesperança vire excitação, onde a depressão vire tesão, onde resignação vire ação. Tudo pela fantasia de uma noite, quem sabe. Parecem não haver mais recursos para sentir a dor de ser humano. O solitário cansou de sofrer, agride. O obstáculo já não pára, arranca. Dilacera a vontade mediada do corpo. De joelhos diante do ultimado nenhum desespero, nem um novo desejo, apenas a entrega motiva a negatividade sem aventurança. Pastos escassos de salvação. Luzes sem nenhum sentido e o indizível insaciável se afoga no pântano da razão. Nunca se deixem ir. Onde se esvai a dignidade não habita a força gloriosa de amanhecer, o espetáculo prazeroso de tentar de novo. Padece em mim o impossível para que o universo de mim se faça em provas. Austeros deveres para a paciência que se choca com o orgulho, evolução que se dissolve na moral. Desequilíbrio, insegurança e transgressões na medida para expiar; trabalho, esforça e provação para assumir a missão. Levanta. Serenidade projeta harmonia, convivência empatia, caos equilíbrio. Pacífico sentido de luta, onde o natural é dor, alívio e cura. Ruídos de mudança. Flashes de emoções, faíscas de sensações, raios de era uma vez. Mensagem do transitório, avisos de agora. Mortes e nascimentos para alimentar a energia dos opostos. Sentidos cientes de apetites vorazes buscando a lanterna da própria alma. Devora. Os instantes, as pausas, as pressas. Sente a brisa nos poros, percebe a inexistência de suporte. Não há nada a que se apegar. Só as acolhidas escolhas, o eu que se foi, que se projeta e é agora. Vasto e pó onde a fragilidade se liberta em ser. Aqui no chão é o meu céu onde deixo ir. Nuvens, nuvens, nudez e porte do eu. Paraíso temido e cobiçado, o misterioso segredo é o macro escondido no micro. Interconecte, se apresente para a assistência, passe. Toda via é fluída e toda chegada entre linhas ocultas.


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