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Ímpeto Tempestade

Posted by Eve Rojas on 12:51 PM in , , , ,
Dias nos quais a terra se move, o chão desaba afastando-nos a cada segundo do céu. As estrelam empalidecem, nebulosas ganham formas quadradas,  a lua se maximiza,  tudo numa  resplandecente melancolia de memórias de amor de antes. Brisas frias, cabeças inclinadas, sorrisos da última lágrima sem fonte. Por onde anda o Mediador?  Tudo de cabeça para baixo, e tudo ainda no mesmo espaço. Continentes sem posição central, planetas de cometas, astros sem nação, sol sem meio-dia. Gotas de cacos que não mais se resgatam,  mas se juntam num assombroso mosaico.  Lã sem ovelha a tecer no desamparo o fio de uma história de quilômetros sem salvação. Quem dera uma performance fosse de um único ser. Vejo somente uma infestação de parasitas a dilapidar os dons.  Pobres poderes de papel e saberes de cifrão. O teu é o nosso alheio de estimados domésticos por opção.  Selvagem. Tempestade impetuosa das vontades em consequência.  Tensões sucedidas por indiferença. Tergiversa meu mediano, tergiversa. Chama o sagrado, a autoridade ou a nobreza. De nada adianta o desespero. Sem ação só te resta o despreparo.  Pão salgado e nenhum vinho. Confundiste, repetiste: "Que jamais lhe falte a trapaça".  Tinha uma brecha na tua muralha onde A palavra restava em pó. Salva, salva! Quem por hora terá músculos incorruptíveis? A guerra é vinda, é cinza, vai ser devagar ou num pulo só?  Te lança no encerrado, no devastado joga um pó além. Tem de haver os meditativos nirvanas nos desertos de expressão. Substantivos mútuos, construam o arco de Íris. Filha de nuvens e mar anuncia a paradoxal Hera. Somos todos náufragos em ilhas privadas desconectadas de Gaia.  Inconformes no triunfo do bom senso. Doce é a anarquia do adaptável. Observador sagaz, astuto de ocasião. Humana por definição. Nenhum revés define o fim do caminho.  Sobe a poeira da rebeldia, sopra a teimosia da paixão. Cega e eleva. Cortes, dores e transformação. Temperança.  Te chamam amizade, apogeu dos esperançosos agentes. Chega a hora do belo, do desigual sem equivalente. Desabrocha e não brota em mim.  Notas sem corda, cordas sem nenhuma órbita. A nossa constelação transcende, mas há gravidade que a desfaça.  Então sente, sente o que enlaça, o  que é capaz de misturar óleo e água. A falta, o preenchido e o excesso é privilégio do amor de hoje. Mundo de sabores que se chocam, surpreendem e se provocam na prova de um tudo muito e de um muito pouco. Porque os plenos são assim, repletos de turbilhões, vazios de superfície.

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Espere por mim

Posted by Eve Rojas on 1:57 PM in , , , ,
Não estais sozinha esta noite. Na pele cortes rasos, assimétricos. O corpo se divide em negativo. As velas queimam lentamente, o fogo e o aroma é cena do insano. Dentro um vazio inculto, fora doídos músculos inexplicáveis. Tenho contado até que eu acabe. Vejo o fim sem reverso. Agüenta até lá. São tantas moletas diárias para quem só precisa ficar de pé. Dores fantasmas em membros reais. Sempre há linha no telefone quando se queria apenas ouvir o sinal de ocupado. Eu não estou lá. É engraçado como acreditamos não saber mais tentar. Vitimização irônica para quem acredita em coragem. Não consigo me dar o que preciso. O som do relógio irrita os olhos denunciando uma emoção persistente nas pálpebras. Será uma emboscada do destino a essa hora? Morreria eu com as armas nas mãos. Paradoxalmente a pressão me mantém viva. Atmosférica. Ensaios de adeus a uma vida inteira de desejos. Já não tenho mais o palco-deslumbramento da juventude. O segredo do roteiro já foi revelado. Nada é espontâneo ou surpreendente. Tédio desordenado, loucura furiosa, no lugar da espectativa alegre e do prazer infantil impaciente. Há quem acredite preencher vida com outra vida. Se desejarmos liberdade talvez aceitemos o conteúdo de nossa sentença. Só é possível caminhar com a planta dos nossos próprios pés. Passo a passo, dia a dia. Necessidade e voluptuosidade em conflito provendo o peso da existência. Ceticismo como consolação. Os dias estão apenas começando. Subsisto incitando o otimismo. Mas tenho tão somente a uma. Solidão. Companheira infinda, cruelmente leal e sem sangue-frio. Tudo mais cultivado por mim resiste em ser colhido, menos ela. Nesse combate perpétuo meus inimigos são abstratos e minhas vitórias última página do jornal de domingo passado. Inexistentes. Sou o próprio entreato, sem razão nenhuma de ser. Tanta miséria no mundo faz crer que desgraça geral é regra. Há os escolhidos em inquebráveis redomas ou felicidade é puro acidente? Mania de ser inteiro! Aprende a valorizar os pedaços. Não. Sentido só pode haver na exceção. Quero guerra com homens que não se partem. Quero banir a arrogância e ser o excesso em bocados. Tenho febre, resisto ao remédio e elimino a cegueira. Doença é loucura advinda da vontade hostil dos que não tem fome. Derrubam a minha porta, não vão me intimidar. Não há perda onde mora a ruína. Nem tente oferecer piedade, o caminho do resgate é o sofrimento imposto pela natureza. Vai passar. Vai passar. Sem aforismos ou filosofastros.

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Quando foi, onde foi?

Posted by Eve Rojas on 3:15 PM in , , , ,
Não lembro do meu primeiro cigarro. Não lembro quando a chuva caiu sobre o meu rosto me emocionando pela primeira vez. Não me lembro. Minha memória tem o mesmo foco da minha miopia. Muitas vezes enquadrada, seletiva e disléxica. Troca o sim pelo não, esbarra no talvez e desaparece no “foi”. Embaçada, vislumbra outros mundos como se o nítido fosse o turvo da junção aleatória das cores. Nessa atmosfera de “frames” confusos, coisas incríveis me acontecem e eu apenas consigo escrever sobre a dor. Sobre a dor de querer, sobre a dor de ter. Essas lembranças impertinentes põem a baixo a porta do meu pensamento sóbrio. Tento expurgá-las, mas nasci inapta para a claridade. Tento ameaçá-las, entretanto provocar é perder o prumo. Então me alio e me deslumbro vendo estrelas em cada ponto dos círculos de luz. Sabores bem quistos. Dessabores honestos. A diversidade de mundos se sobrepondo a minha visão é a mesma dos eus que saem e sobressaem em lapsos temporais cada vez mais próximos. O prazer pela contradição me leva até as fronteiras de mim quando a retórica já não é mais clara. Estanco, retrocedo e me perco. Decadência de virtude em um corpo estranho. Limites materiais numa emoção transbordante. Já não caibo em mim. Espaços inabitáveis para esta errância bendita de eus numa geografia primária tomada por refugiados. Muito perto estou do esquecimento. Perto o bastante para deslocar o que há de sedento, prolongar a dor e retirar a pele interior. Abrir estradas e acabar sozinha, sem honras, onde jaz a lembrança, em um cemitério sem reminiscente. Não sou ilha inabitável nem corpo do mundo, antes espessura da matéria conhecedora apenas do pensamento. Grafias sem signos em uma planície sem fim. Ficção. Às vezes é tudo ficção diante da racionalidade totalizante. Às vezes é tudo racional quando o real é mero conto de palavras estranhas a tentar formar fila sobre o retângulo de superfície branca. Mais uma vez redenção. Clama oprimido, clama pelo estado de exceção da narrativa. Não há como conquistar, a primeira já não sabe quem é. Há? Para quem é nômade é difícil pensar em lugar original. Difícil para quem? Para o devir ou para o afim? Quem retruca? A aflição é em mim. Um eco ressoa, a voz é tua ou minha? Esse ser-se várias vezes humano é perturbador. Partículas vibram e se colidem no afã pelo despertar do infinito ético, enquanto fatores naturais se aliam para incitar os instintos primitivos. Não pretendo ser resíduo ou edifício em campos de detenção. Mesmo que o meu corpo falhe, minha memória padeça, minha fala esqueça, minha alma há de se levantar a cada tropeço, a cada passo em falso para que a verdade não seja resto, mas matéria-prima. O sentido é insignificante quando a janela dos olhos não se é capaz de enxergar. Quem das obras vê, quem das palavras pode ler a intenção do coração dos homens? Meros jogos de poder e falsas verdades. Placebos alucinantes para pacientes terminais. Compreender o outro é confrontar a si mesmo. Irromper em medo, desviar da ruína. Descobrir que o amparo é apenas mais uma ferida, onde, aquele bom Caetano diria, que “o mal é bom e o bem cruel”. Clichês da estética da sobrevivência. Bárbaros discursivos, o sofrimento ressuscita e a memória guarda meu tempo incerto de morrer. Ergo meu corpo oblíquo ao céu em equilíbrio escasso, na fronteira do inabitável, tentando encontrar a luz, aqueles pontos multicores aglomerados, onde minha fé encontra regojizo na esperança do porvir. Encontro territórios encravados em outros, me reconheço. São tantas cicatrizes a reivindicar suas próprias vozes... São Longuinho, São Longuinho, se me mostrares onde me perdi, dou três pulinhos.

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